Já li — Voo Nocturno

PORQUE LI?

Porque “Voo Nocturno” foi-me oferecido por alguém que o venera e que diz ter sempre consigo vários exemplares do livro para ir distribuindo a quem ainda não o leu.

 O QUE ACHEI?

Vitória… derrota… estas palavras não têm qualquer sentido. A vida está abaixo destas imagens e prepara já novas imagens. Uma vitória enfraquece um povo, uma derrota acorda outro.” (Pág. 145)

Um pequeno texto que demorei a compreender — tão enredada me senti, inicialmente, em questões técnicas relativas à aviação e a fenómenos meteorológicos —, mas que se revela em todo o seu esplendor à medida que a narrativa avança, embalada pelas descrições poéticas das paisagens vistas das alturas e pelo surgir de personagens que são exemplo de arrojo e coragem.

Com base em Buenos Aires, funciona uma companhia aérea responsável pela recolha e distribuição de correio em vários pontos da América do Sul e também pela ponte aérea postal com o continente europeu. A ação decorre ali pelos anos trinta do século XX, quando os instrumentos de navegação eram ainda muito rudimentares, o que tornava particularmente perigoso voar à noite, quer sobre o subcontinente americano quer sobre o Atlântico .

Contudo, Rivière, o responsável por toda a rede de serviços postais aéreos, sabia que o futuro da aviação civil e dos serviços postais, sobretudo em nome da eficácia, passava por aí, por voar à noite. Espécie de lobo solitário, vive exclusivamente para a profissão, controla todos os detalhes inerentes à atividade da companhia e preocupa-se com os pilotos como se fossem seus filhos. Talvez por isso mesmo os leve ao limite, apesar dos avisos de todos os velhos do Restelo, apesar da matilha que reza para que falhe, nem que seja pela oportunidade de lhe jogar à cara um “eu bem te avisei”.

Voo Nocturno” é um livro sobre aquela minoria obstinada, disposta a arcar com as consequências nefastas das suas escolhas, porque sabe que avançar, progredir acarreta riscos e que o saldo final será positivo para todos. É um livro que nos ensina de que massa são feitos os pioneiros e quais os valores que os orientam.

Para quem tinha lido anteriormente “A Transformação”, de Franz Kafka, “Voo Nocturno” representou uma mudança da noite para o dia. Passei do sangue de barata para o agarrar a vida pelos cornos!

Também se é rico com as próprias misérias (…) (Pág. 16)

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