Francisca, na Feira do Livro do Porto

No que me diz respeito, a 87ª edição da Feira do Livro do Porto foi muito especial: no decorrer do evento apresentei “Uma Volta ao Mundo com Leitores”, o meu primeiro livro, num final de tarde emotivo em que estive rodeada de amigos e seguidores do Acordo Fotográfico. Este ano, a feira foi também um pretexto para voltar a fotografar leitores nos jardins do Palácio Cristal, algo que já não acontecia desde Junho do ano passado, quando a Aida me falou do livro “Porno Burka”.

Estendida como estava — à sombra de uma copa frondosa, mas a aproveitar um raio de sol que lhe iluminava o livro e o rosto — a Francisca parecia ter encenado a pose formosa expressamente para mim. Aproveitava um intervalo no trabalho que levou a cabo na feira para um café e um pouco de leitura. O livro, “The Viewpoints Book: a Practical Guide to Viewpoints and Composition”, fora presente de aniversário de um amigo. “Estudei Arquitetura”, disse-me, “mas interesso-me particularmente por performance. Gosto, também, de explorar áreas como a dança contemporânea e a música, e a performance funciona, no meu entender, como um veículo, um elo de ligação entre ambas. Este livro é um guia, propõe uma estratégia para compor, ensaiar e encenar performances a partir dos oito pontos de vista diferentes que podem ser tidos em conta.”

Leitora desde pequena, muito por influência dos pais — em especial da mãe que lhe comprava livros para ler nas férias porque “era quase obrigatório ler-se alguma coisa” ­—, a Francisca começou por gostar dos livros de banda desenhada da Disney e, mais tarde, passou a ler os romances da mãe e da tia. Por causa dos estudos e dos interesses que nutre, ultimamente diz ler mais livros técnicos, mas por vezes precisa de ficção.

         

O último romance que li foi ‘Crime e Castigo’, uma experiência muito envolvente e intensa, por causa dos diálogos internos de Raskólnikov. Mas o livro que mais me impressionou até agora foi ‘1984’, por ter sido o primeiro livro que me fez tomar consciência do impacto da leitura em nós. Houve momentos em que tive de fechá-lo e parar de ler. Naquele momento em que o romance entre os protagonistas é descoberto e se ouve a voz metálica que diz ‘Vocês são os mortos’, entendi que o enredo ia mudar e eu não queria que isso acontecesse porque estava a gostar do rumo que a história tinha levado até aí. Depois, há o livro de Walter Benjamin, ‘Imagens de Pensamento’ que me mostrou que era possível escrever de uma forma muito distinta das fórmulas que eu tinha aprendido na escola, misturando pensamento e sonho. Acabou por influenciar a forma como escrevo hoje.”

Assim falou Francisca, para quem a leitura tem a virtude de a fazer “descansar, desligar de tudo, entrar noutras circunstâncias. É o apoio para a construção das minhas ideias e das minhas perspetivas”. É jovem, mas sobre as virtudes da leitura já entendeu tudo.

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