PORQUE LI?
Um livro que coloquei na minha lista de leituras quando foi lançado em 2008. Li-o, finalmente, porque o encontrei na biblioteca dos meus pais este Verão.
O QUE ACHEI?
“A representação mais exacta, mais precisa, da alma humana é o labirinto. Com ela tudo é possível.” Pág. 239
Depois de Lygia Fagundes Telles (Prémio Camões) e Han Kang (Prémio Booker Internacional), o livro de José Saramago (Prémio Nobel) foi o terceiro romance das minhas longas férias de Verão.
A partir de uma história verídica parcamente documentada, José Saramago reconstrói a viagem do elefante Salomão — e do séquito que o acompanhou por terra, mar e rio, entre Lisboa e Viena, durante mais de cinco meses — acrescentando-lhe uma miríade de pormenores riquíssimos e verosímeis, apesar de imaginados: os cenários, as paisagens, os diálogos, o carácter dos personagens, os seus trajes, os encontros e as despedidas, as alegrias e tristezas, as temperaturas extremas, o desgaste físico, o companheirismo e as rivalidades, enfim, todas as peripécias que uma odisseia como aquela implicou com certeza.
Misto de romance histórico, relato de viagem e retrato social, “A Viagem do Elefante” é apenas o meu segundo livro de José Saramago, depois do incontornável “Memorial do Convento”. Li-o num instante, viajei prazerosamente com o elefante e a sua comitiva e voltei a ficar fascinada com a mestria de Saramago para analisar e entender a alma humana, dando constantemente “uma no cravo e outra na ferradura” porque oscila, sempre com humor fino e sarcasmo subtil, entre a crítica ácida e a candura na observação das nossas universais e intemporais qualidades e fraquezas.
Uma história simples, num livro que resulta profundo e belo. Recomendarei sempre.