Já li – A Revolução do Amor

PORQUE LI?

Por duas razões muito simples: 1.º trazia o livro debaixo de olho desde que fotografei o Ricardo a lê-lo na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, há três anos; 2.º encontrei-o à venda a preço de saldo.

O QUE ACHEI?

 Luc Ferry, filósofo francês contemporâneo e optimista como eu, define a Filosofia como “uma demanda de sabedoria e de espiritualidade sem Deus”.

Em “A Revolução do Amor”, Ferry defende que depois de uma primeira vaga de humanismo fundamentada na ideologia das Luzes, nos valores da Revolução Francesa — Liberdade, Fraternidade e Igualdade — e na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão — que estiveram na origem dos movimentos republicanos europeus por um lado e do colonialismo por outro —, emerge agora uma segunda vaga de humanismo fundamentado no amor: o casamento deixou de ser feito por conveniência e passou a acontecer por amor-paixão; as crianças nascidas dessas uniões passaram a ser sacralizadas; surge a preocupação com o mundo que deixaremos aos nossos filhos que tantos amamos; e, a partir daí, passou a sacralizar-se a pessoa humana em geral, isto é, cada um dos sete mil milhões de membros da família humana, o que implicou mudanças radicais na esfera pública e política.

“Em nome do amor, da simpatia, do ‘sofrer com’”, se preferirem, em nome da empatia, o segundo humanismo critica ferozmente a indiferença. Luc Ferry argumenta que “se as injustiças ou as desigualdades nos parecem hoje mais insuportáveis do que nunca não é pelo facto da realidade ser pior do que antes. Ela é de modo evidente, e apesar de todas as suas imperfeições, incontestavelmente melhor. Fomos nós que mudámos, foram as nossas exigências que se tornaram mais elevadas, precisamente mais fraternas.”

Esta é, no meu entender, a principal mensagem que Luc Ferry defende no livro “A Revolução do Amor”. Mas para fazê-lo percorre a história da humanidade, revisita os grandes filósofos, explica as principais mitologias, esmiúça as grandes ideologias, envereda pelos caminhos da ética, da moral e da espiritualidade. São quase 500 páginas em que nos deslumbra com a sua vasta e profunda cultura, compondo um texto acessível que contribui muitíssimo para o alargar dos nossos horizontes, para aguçar a nossa capacidade de olhar para o mundo sob um prisma optimista e esperançoso.

Possam as nossas crianças ser educadas e ensinadas no espírito desta filosofia do amor, desta espiritualidade laica, dos seus valores, da sua ética e talvez no futuro deixemos de ter gestores, economistas, políticos, engenheiros, patrões, enfim, supostos líderes das mais variadas proveniências formativas tão pouco humanizados como os de hoje. Como refere Fernando Savater logo no terceiro parágrafo do seu livro “Ética para um jovem”, “A reflexão moral (…) é parte essencial de qualquer educação digna desse nome”.

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