Já li — A Gaiola de Ouro

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PORQUE LI?

Mais um livro que foi mencionado no curso de Biblioterapia que frequentei na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, no início do Verão passado. Na altura, a minha viagem ao Irão já era quase uma certeza e interpretei como um sinal o facto d’ “A Gaiola de Ouro” me aparecer no caminho. Não demorei muito a requisitá-lo na Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

O QUE ACHEI?

A primeira coisa que aprendi com “A Gaiola de Ouro” sem que fosse sequer necessário folhear o livro, é que há na República Islâmica do Irão uma mulher corajosa a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Paz em 2003.

Se ser distinguido com um Prémio Nobel já é coisa absolutamente notável, recebê-lo enquanto mulher pelo seu trabalho como activista dos direitos humanos — numa República Islâmica altamente patriarcal, onde as mulheres são sistematicamente descriminadas e os direitos humanos violados numa base diária há décadas — é extraordinário. Assim é Shirin Ebadi, extraordinária! A primeira cidadã iraniana e primeira mulher muçulmana a ter sido galardoada com um Nobel.

Depois, “A Gaiola de Ouro” ensinou-me muitíssimo acerca da história, da sociedade e da cultura iraniana, sobretudo entre os anos cinquenta e noventa do século XX — com particular enfoque na monarquia corrupta, nas ingerências norte-americanas nos assuntos internos do país, na Revolução Islâmica e as suas terríveis consequências, assim como no brutal sofrimento e a devastação causados pela guerra Irão/Iraque entre 1980 e 1988.

Por último, pode dizer-se que o livro de Shirin Ebadi tem por base um fenómeno sempre intrigante (embora já explicado pelas ciências) : o facto de filhos dos mesmos pais, alvo dos mesmos afectos, educados na mesma casa e dentro do mesmo quadro de valores, divergirem radicalmente nos seu percursos de vida e chegarem a odiar-se.

A história dos quatro irmãos Pari — três rapazes e uma rapariga — confunde-se com a história recente e dolorosa do Irão. Por isso recomendo “A Gaiola de Ouro” a todos os leitores que gostam de aliar uma história bem escrita e com personagens fortíssimos a factos verídicos que permitem ampliar os conhecimentos acerca de um país e de um povo injustamente mal-amados. Já sabem: mentes esclarecidas são menos dados a preconceitos.

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