Rui Pedro e as crianças peculiares

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Aconteceu tal e qual vos vou contar: vinha da Livraria Lello, a tarde caía sobre o Porto e eu subia a Avenida dos Aliados para ir apanhar o metro na Estação da Trindade. A temperatura era amena, pairava no ar um aroma a fim de Verão e a luz suave atenuava o bulício do trânsito. Afastei uma pontada de nostalgia ao pensar no quanto seria bom fotografar alguém a ler sentado a uma das mesas frente ao edifício da Câmara Municipal do Porto, sob as magnólias e o olhar de um gigantesco Almeida Garrett de bronze. O meu pensamento materializou-se no Rui Pedro, que ouvi rir. Eram as crianças peculiares do lar da senhora Peregrine que o divertiam.

“Li primeiro ‘Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children’. Para além de ter achado o livro muito bonito enquanto objecto, fiquei entusiasmado com o universo que o autor criou e as histórias que elaborou a partir da sua colecção de fotografias antigas. Foi ao olhar para essas imagens que ele percebeu que tinha ali personagens para um livro de fantasia”, explicou-me o Rui Pedro.

Hollow City: The Second Novel of Miss Peregrine’s Peculiar Children”, a continuação da saga escrita por Ransom Riggs, era o livro que tinha por companhia naquele entardecer. “Estes são livros ligeiros, mas muito bem escritos”, acrescentou. “Recomendo-os a qualquer leitor que goste de fantasia e que tenha sentido de humor”.

Para o Rui Pedro “ler é a possibilidade de ter mil e uma experiências sem sair do sítio, é a alegria de ir a outros lugares, conseguir colocar-me na pele de outras pessoas, ser outros e aprender coisas que não poderia aprender directamente”. E para a sua paixão pelos livros contribuiu muitíssimo o autor que mais o marcou — Terry Pratchett.

“É absolutamente genial!”, diz Rui Pedro, radiante. “Descobri-o quando era muito jovem, quando a minha personalidade se estava a formar e teve sobre mim uma influência muito grande. Admiro a sua capacidade de escrever livros que parecem leves, mas que são profundos, cheios de crítica social e onde está o mundo inteiro. Ele é o Cervantes dos nossos dias”.

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