Até breve, Istambul!

Deixei Büke a ler no Cafe Zoo e caminhei até à margem do Mar de Mármara atravessando bairros residenciais tranquilos, feitos de prédios elegantes, com janelas largas e vistas que imaginei belíssimas. Misturei-me com a multidão de turcos que passeavam também e fui observando ao meu redor os pescadores de fim de semana, os gatos à espera de algum peixe, as famílias que piquenicavam sobre a relva, os casais de mãos dadas, os grupos eufóricos de adolescentes e o sol que se aproximava do horizonte. Cheirava a maresia e soprava uma brisa ligeira. Vibrava no ar a alegria de se saber que no dia seguinte haveria ainda muitas horas de descanso.

 

Quando avistei a Ayşe a ler, sentada sobre as rochas, muito próxima da linha de água, estava já pressionada pelo tempo, porque queria apanhar o ferry a horas de ver o pôr do sol durante a curta viagem entre a Ásia e a Europa. Mas não qui deixar de conhecer aquela que, suspeitava, seria a minha última leitora em Istambul, já que regressava a Matosinhos na manhã seguinte. Ironicamente, a conversa acabou por ser curta, porque Ayşe não falava inglês. Valeu-me a ajuda de um rapaz que se ofereceu espontaneamente para tradutor, uma atitude que me sensibilizou mais pela simpatia e não tanto pela proficiência do seu inglês. Pude, portanto, saber o básico dos básicos: que Ayşe é professora de História e que o livro que lia, sobre a História da Turquia, era lindo e a ajudava a saber mais sobre o seu adorado país.

  

Depois tive de correr para apanhar o barco. Por já não haver lugares para me sentar, fiz a viagem de pé, junto à amura. Abotoei o casaco ligeiro até ao pescoço, envolvi-me na pashmina e recebi com agrado o vento que me revolveu os cabelos. Vi, da primeira fila de um pesado ferry em movimento, um novo pôr do sol sobre Istambul. Sei que não foi o último. Caí, indefesa, na rede encantatória que Orhan Pamuk tece com mestria no seu romance “O Museu da Inocência”. Revisitar o museu parece-me, agora, uma urgência. Voltarei a Istambul em breve, é certo.

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