Já li – Ética Para Um Jovem

PORQUE LI?

Este foi dos primeiros livros que li em 2017, embora só agora escreva sobre ele. Estava há muitos anos na minha lista de leituras e acabei por requisitá-lo na Biblioteca Municipal Florbela Espanca para preparar a minha participação no evento “Para além de princesas e dragões: IV Encontro a Biblioteca e a Aprendizagem Criativa: Valor(es) da(s) Leitura(s)”. Aconteceu em Março, em Albergaria-a-Velha e eu fui falar de Biblioterapia em Defesa dos Valores Humanos.

O QUE ACHEI?

(…) tudo o que vou dizer-te nas páginas seguintes são apenas repetições desse único conselho, uma e outra vez: tem confiança! Não em mim, claro, nem em nenhum sábio, mesmo dos que o são a sério, nem em regedores, padres ou polícias. Não em deuses nem em demónios, nem em máquinas, nem em bandeiras. Tem confiança em ti próprio. Na inteligência que te permitirá ser melhor do que já és e no instinto do teu amor, que te fará merecer boa companhia.” (Pág. 20)

Ética Para um Jovem” foi originalmente publicado em 1991 e julgo que tudo já se terá escrito e dito acerca do livro. Afirmar aqui que é uma obra admirável e indispensável, poderá soar-vos a “déjà lu” mas não posso deixar de começar por aí.

Depois, frisar que foi pensada para adolescentes e escrita numa linguagem simples, que recorre a comparações e metáforas divertidas, para comunicar de forma eficaz com esse público. Mas a claridade e a profundidade da mensagem veiculada — assim como a imensa cultura geral que partilha, sobre filosofia e tantos outros assuntos, nomeadamente literatura — será também de grande utilidade aos mais velhos, aos adultos, estejam eles pouco ou muito avançados no seu percurso de vida. Nunca é tarde para se refletir sobre as escolhas que fizemos ou encarar as escolhas futuras à luz das incitações de Savater. Estamos sempre a tempo de mudar ou de melhorar, isto é, de progredir na arte de bem viver.

A liberdade de ação, o saber escolher o que nos convém ou não, o que fazer ou não em determinadas circunstâncias, como agir perante o que nos foi imposto (as ordens), porque fazemos o que fazemos e a disposição para se refletir constantemente sobre aquilo que se faz e compreender os nossos comportamentos, como gerimos preferências e caprichos, a função determinante da desobediência, a diferença entre moral (conjunto de normas) e ética (reflexão sobre porque consideramos as normas válidas), a importância de tratar as pessoas como pessoas, isto é, a importância da empatia e da compaixão, o esforço da aprendizagem constante, a necessidade de vivermos de forma consciente, o papel da culpa, do remorso, da vergonha, da responsabilidade e da virtude, entre muitos outros temas, fazem do livro de Fernando Savater uma leitura muitíssimo recomendável para a formação de qualquer jovem ou de qualquer leitor que tenha (ou queira ter) um papel na formação dos jovens.

Para terminar, duas pequenas observações:

  1. São muito sumarentas as notas finais de cada capítulo sob a designação “Para ires lendo”, onde o autor lista excertos de obras — algumas clássicas outras contemporâneas — que complementam as suas reflexões;
  2. O excerto com que abri este texto é, talvez, a afirmação mais poderosa de todo o livro e quem assume o papel de educador nesta vida deveria proferi-la como um mantra. O mundo teria adultos mentalmente mais saudáveis se os seus pais e mães lhes tivessem dados (apenas?) este conselho. Quiçá vivêssemos com menos depressões, crises de pânico, ansiedade ou falta de autoestima…
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