Já li — Sapiens: A Brief History of Humankind

 PORQUE LI?

Sapiens” foi-me vivamente recomendado por um bom amigo, que é livreiro e um grande leitor, ainda o livro não estava traduzido para português. Porque sempre gostei de História, pu-lo de imediato na lista de leituras a fazer. Foi depois de ver uma entrevista com Yuval Noah Harari num canal de televisão espanhol que decidi ler “Sapiens” de uma vez por todas. Nessa altura já a edição portuguesa estava esgotada. Optei, assim, por encomendar a versão de bolso inglesa que me custou menos de dez Euros.

O QUE ACHEI?

“(…) discord in our thoughts, ideas and values compel us to think, re-evaluate and criticise. Consitency is the playground of dull minds.” (In “Sapiens”)

Até ao momento, foi o melhor livro dos doze que li este ano!

Fiquei fascinada e não me cansarei de recomendá-lo. Não tanto aos especialistas na matéria ou grandes leitores de História, mas mais aos que não tendo esse hábito se mantêm curiosos em relação ao mundo que os rodeia, procuram compreendê-lo e apostam no aprofundar constante da sua visão global e cultura geral.

Este é um daqueles livros que alarga fatalmente os nossos horizontes, que nos leva a tomar uma consciência aguda do caminho comum que a Humanidade faz há milhares de anos — mais como uma família gigantesca que volta e meia se desentende e não tanto como um conjunto de clãs fechados nas suas fronteiras geopolíticas e eternamente rivais —, a apreender cronologicamente esse caminho, a compreendê-lo globalmente e a atribuir-lhe algum sentido ou pelo menos organização, apesar de todas as contradições e incoerências que encerra. Depois de ler “Sapiens” não se olha mais para o mundo da mesma forma.

Yuval Noah Harari faz um resumo, em cerca de 500 páginas, dos últimos cem mil anos da nossa história, isto é, mais ou menos desde que surgiu o Homo Sapiens (ainda que descobertas recentes feitas em Marrocos mostrem que, afinal, o Homo Sapiens é 105 mil anos mais antigo do que se pensava…). E fá-lo de forma brilhante, no meu entender por dois motivos principais: primeiro, porque aponta o foco sobre factos conhecidos, tendo a virtude de realçar novas perspetivas e interpretações dos mesmos; segundo, porque é um grande escritor.

Harari — sem nunca abdicar da mais séria investigação e de toda a erudição que bebe noutras disciplinas, desde as ciências exatas a outras ciências sociais — compõe um livro ambicioso, é certo, mas claro, provocador, irónico, refrescante, divertido e que se lê de um só fôlego, como só os grandes escritores são capazes de fazer. Este é o trunfo do autor: saber comunicar de forma magistral através da escrita.

Gostei particularmente de recordar o que acarretou a Revolução Agrícola, que Harari descreve como a maior das armadilhas em que a Humanidade caiu, de ler sobre a formação e queda dos impérios, sobre a ficção que sustenta o funcionamento do dinheiro (entre muitas outras coisas…), sobre o fenómeno das religiões e sobre o “credo” capitalista. Agora, não vejo a hora de pegar em “Homo Deus”, que já tenho aqui sobre a mesa, também em inglês.

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