Já li — Les Livres Prennent Soin de Nous

PORQUE LI?

Ao fazer uma pesquisa online sobre o estado da Biblioterapia em França, deparei-me com o ensaio de Régine Detambel — “Les Livres Prennent Soin de Nous: Pour une bibliothérapie créative” — publicado pela Actes Sud em 2015. Pu-lo na minha lista de leituras imediatamente e nem pensei duas vezes quando o vi à venda numa livraria em Bruxelas: comprei-o.

O QUE ACHEI?

A francesa Régine Detambel é autora de quase meia centena de livros —entre romances, ensaios e livros infanto-juvenis —, biblioterapeuta e formadora em Biblioterapia Criativa.

Neste seu “Les Livres Prennent Soin de Nous (Os livros cuidam de nós) explica, logo no primeiro parágrafo, que sempre sonhou “escrever um livro sobre livros, sobre o seu poder, a sua missão, sobre as mudanças psíquicas e mesmo físicas que provocam em nós”.

Para fazê-lo Régine Detambel compilou durante anos títulos, citações e histórias com que se foi cruzando no decorrer das suas leituras, nomeadamente os testemunhos de escritores que afirmaram ter sido salvos por livros. A estes ingredientes juntou tudo aquilo que ela mesma experimentou ao ler, desde pequena, e tudo o que acredita que os livros têm feito por si e por aqueles com quem contacta no decorrer da sua actividade como biblioterapeuta e formadora.

Por entre os dezassete capítulos curtos que compõem esta obra, destaco a distinção que a autora faz, nas primeiras páginas, entre Biblio-Coach — mais vocacionado para receitar livros de psicologia para o grande público e de auto-ajuda — e Biblioterapeuta, que aposta nas obras de ficção literária, aquelas que mais do que apaziguar o leitor, abanam as suas estruturas graças ao poder das metáforas porque, no seu entender “os grandes problemas humanos só são acessíveis metaforicamente”.

Extremamente interessantes, também, as considerações sobre o poder teraupêutico da poesia veiculado pelo ritmo, sonoridade e pensamento; das notas que vamos fazendo ao ler e dos benefícios de copiar e recopiar à mão os trechos dos livros que mais nos tocam; dos benefícios de aliar a terapia pela leitura à terapia pela escrita; do poder regenerador da leitura em voz alta; e do que define a verdadeira relação entre o biblioterapeuta e o seu cliente:

O trabalho discreto do biblioterapeuta é simplesmente levar o seu leitor a transformar-se no leitor de si mesmo (…) , ajudar o seu paciente-leitor a atingir uma forma de maturidade.

Para mim foram 145 páginas de puro deleite e uma identificação constante com a visão da autora acerca da Biblioterapia. Se esta é uma área que vos interessa e se vos for possível ler em francês (já que o livro não está traduzido para português), este é um pequeno livro que vos recomendo com entusiasmo.

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