Já li — Poder Silencioso

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PORQUE LI?

A edição portuguesa de “Poder Silencioso – As Capacidades Secretas dos Introvertidos” despertou-me a atenção por duas razões: achei que seria interessante saber o que se passa na cabeça e no coração desses seres mais caladinhos a que chamamos tímidos e introvertidos; a obra está pensada para crianças e adolescentes, precisamente o público com que tenho trabalhado como coach.

Umas semanas mais tarde, ao frequentar um curso de Biblioterapia na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto, referiu-se o livro e decidi que tinha chegado a hora de lê-lo. Estou muito agradecida à Temas e Debates que fez a gentileza de mo oferecer.

O QUE ACHEI?

Fiquei muito surpreendida com um dado apontado por Susan Cain nas primeiras páginas do livro: um terço a metade das pessoas são introvertidas.

Aprendi, depois, que ninguém é totalmente introvertido ou extrovertido. Há, portanto, um gradiente e cada indivíduo colocar-se-á num ponto específico do grande espectro que vai da introversão à extroversão. Foi quando percebi que os poucos introvertidos que conheço e que identifico claramente como tal estão no extremo da escala da introversão. Os outros são introvertidos, mas em graus menores. É como se andassem por aí disfarçados.

Descobri, ainda, que para além dos introvertidos e dos extrovertidos há também os ambivertidos. E, surpresa das surpresas, concluí que não sou extrovertida, como pensava, mas sim ambivertida. Isto explica, por exemplo, porque razão sou socialmente expansiva, faço amigos com facilidade, gosto de festas bombásticas e não tenho grandes dificuldades em falar em público mas, por outro lado, sempre preferi os pequeníssimos grupos de amigos, adoro viver sozinha, preciso desesperadamente do meu espaço, de silêncio e de períodos regulares de isolamento para estar no meu mundo sem que ninguém me chateie.

No meu entender, a grande virtude de “Poder Silencioso” — um livro escrito numa linguagem simples, que crianças e adolescentes entenderão — é a principal mensagem veiculada, que resumo desta forma:

  • ser introvertido não constitui, obviamente, qualquer problema;
  • é um erro forçar os introvertidos a deixar de o ser — os traços podem atenuar-se, mas a personalidade introvertida nunca desaparecerá;
  • os introvertidos possuem características de que o mundo precisa, e muito!;
  • os introvertidos e tímidos podem adquirir ferramentas ou adoptar estratégias para sair da sua “concha” quando isso lhes é conveniente, para mais tarde voltar ao seu estado natural — aquilo a que a autora chama Teoria da Personalidade Elástica.

São trezentas páginas sumarentas, cheias de testemunhos e de histórias de introvertidos de sucesso e de dicas preciosas não só para tirar o melhor partido dos super-poderes dos introvertidos, mas também para que adoptem atitudes extrovertidas quando as circunstâncias assim o exigem.

Um livro que advoga a favor de diferentes formas de personalidades e diferentes formas de interagir com o mundo à nossa volta. Uma obra que potencia o auto-conhecimento e o respeito pelo próximo e pelas suas particularidades, contribui para a empatia e a solidariedade, ajuda o leitor a transformar-se numa melhor pessoa e faz do mundo um lugar mais bonito.

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