Joana & Agostinho da Silva

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A Joana é portuense, mas vive há três anos em Roterdão onde estuda Circo. Sim, leram bem: a Joana está a tirar um bacharelato em artes circenses na Holanda. E no próximo mês de Setembro começa já o quarto e último ano dos seus estudos.

Percebi que não ficou surpreendida com a minha surpresa. Ela sabe que estudar circo formalmente não é coisa comum em Portugal, quanto mais sair-se do país para fazê-lo. E explicou-me: As pessoas têm a ideia de que o circo tem a ver com palhaços, mas na escola onde estou não se estuda para ser palhaço. Temos muitas disciplinas teóricas e outras práticas sobre acrobacias e exercícios aéreos, por exemplo. A minha especialidade é o pino”.

Falei-lhe do Chapitô, em Lisboa, que eu achava ser a única escola de circo nacional. Porém, a Joana informou-me que no próximo ano lectivo abre a primeira instituição de formação circense a Norte — o Instituto Nacional de Artes do Circo, no Acro Clube da Maia. Vamos, portanto, ter ainda mais profissionais circenses a deleitar-nos com a sua arte. No respeitante a oportunidades de trabalho, a futura artista está optimista: “Quero arranjar trabalho seja em que país for e actuar. Desde que possa fazer o que gosto, não me importa onde esteja”.

Conhecemo-nos no Fluvial, junto ao Douro, numa tarde quente de quinta-feira, andava a eu caminhar com os meus pais para digerir os petiscos almoçados na Casa de Pasto da Palmeira. Por ser dia de expediente, o relvado onde a Joana se estendeu para um banho de sol e uma leitura estava vazio. Era impossível não reparar nela. Lia “Citações e Pensamentos de Agostinho da Silva”, um livro organizado por Paulo Neves da Silva e publicado pela Casa das Letras.

Não sou uma grande leitora”, afirmou categórica mal me sentei ao seu lado de caneta e bloco de notas em punho. “Mas vim de férias com uma grande necessidade de ler. Na Holanda não leio, até porque não tenho acesso a livros em português. Mas cheguei com uma grande vontade de ir comprar um livro. Por vezes é importante ir beber às ideias dos outros para orientação. Só que como ainda não comprei nenhum livro, fui à estante do meu pai e abri este ao acaso, que me interessou logo porque as citações não são lamechas. Gosto da forma como fala do amor e surpreendeu-me a simplicidade do autor porque é o que eu tento ser: simples. Talvez desta vez, no fim das férias, leve comigo uns livros em português para a Holanda”.

Crente que sou na serendipidade — a aptidão de atrair a si acontecimentos favoráveis de maneira fortuita ou o dom de fazer boas descobertas por acaso — quero acreditar que as citações de Agostinho da Silva terão impacto na vida da Joana. Para quem não tem hábitos de leitura, o contacto com o mestre só pode ter um saldo positivo, sobretudo quando já se é sensível aos ensinamentos valiosos que os livros podem encerrar. Espero que a Joana se junte ao grupo dos que não abdicam da leitura para melhorar continuamente em todas as vertentes da vida. Felicidades, Joana!

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