Já li – Hiperatividade e Défice de Atenção

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PORQUE LI?

Na minha actividade como coach já trabalhei com adultos, mas devo admitir que os meus clientes de sonho serão sempre os adolescentes. Quando, há coisa de dois meses, ouvi no programa de rádio “Antena Aberta” (na Antena 1) um debate sobre o suposto abuso de medicamentos para controlo da Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção em crianças e adolescentes portugueses, percebi duas coisas:

a) não sabia nada acerca da PHDA e, se quero trabalhar com adolescentes, seria melhor informar-me;

b) fruto da ignorância, alimentava no meu íntimo muitos preconceitos, generalizações e confusões acerca do assunto.

Decidi, portanto, ir à Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos e ver o que havia disponível sobre PHDA. O livro “Hiperactividade e Défice de Atenção – As respostas que pais e professores procuram” pareceu-me o mais completo. Requisitei-o.

O QUE ACHEI?

Não foi uma leitura feita por prazer ou entretenimento. O objectivo era informar-me o mais possível sobre a Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção, daí me ter demorado no livro. Queria reter o maior número de dados possível e foram muitas as vezes que voltei atrás para reler partes de certos capítulos. O resultado final é altamente positivo, porque aprendi imenso e pude, dessa forma, pôr fim aos preconceitos, generalizações e confusões nefastas que alimentei durante muito tempo.

Listo, de seguida, alguns dos principais ensinamentos:

  • Em Portugal, estima-se que haja cerca de 80 mil crianças com PHDA. 80 mil!;
  • A PHDA não resulta de uma educação “frouxa” ou permissiva por parte dos pais, professores e educadores, nem é uma questão de feitio da criança ou do adolescente. É uma perturbação do desenvolvimento do sistema nervoso, de origem pré-natal, que se manifesta no início da idade escolar e cujas consequências se prolongam quase sempre para toda a vida;
  • A PHDA é hereditária. Estudos demonstram que uma altíssima percentagem de pais e mães cujos filhos têm PHDA, revelam também sintomas desta condição, muitas vezes associados a outras patologias psiquiátricas, tais como ansiedade, depressão e dependências de substâncias;
  • A PHDA não se “cura” recorrendo a castigos sistemáticos e uma gestão severa de comportamentos. Antes pelo contrário, uma educação autoritária pode aumentar os níveis de ansiedade da criança ou do adolescente e piorar o quadro clínico. O tratamento da PHDA é lento, implica persistência de todos os intervenientes e recorrer a um leque enorme de profissionais, dependendo de cada caso: pediatras, psicólogos, psiquiatras, terapeutas da fala, terapeutas de motricidade, terapeutas ocupacionais, entre outros;
  • Não devemos deduzir que uma criança ou um adolescente sofre de PHDA porque faz muitas birras, ou é “mal-educada”, ou não pára quieta, ou sofre muitos acidentes ou tem problemas de aprendizagem. Isso é generalizar e é um erro. Na PHDA convergem inúmeros sintomas e a mesma surge quase sempre associada a perturbações sérias, tais como: um padrão persistente de comportamentos desafiadores e desobedientes, ansiedade, depressão, baixa auto-estima, dificuldades de socialização com os seus pares, tiques, alterações da linguagem, dificuldades na leitura, escrita, oralidade e cálculo numérico, perturbações na coordenação motora e perturbações do sono;
  • Embora nos adultos a hiperactividade acabe por ser naturalmente controlada, as sequelas de uma PHDA não diagnosticada na infância e não tratada são evidentes, nomeadamente no que diz respeito ao défice de atenção. Adultos distraídos, caóticos, “esquecidos”, procrastinadores, com sentimento crónico de frustração, impacientes, impulsivos, com dificuldade em se organizarem no espaço e no tempo, com acessos de raiva e perturbações do sono sofrem, muito provavelmente de PHDA.

Se quiserem perceber o que é a PHDA, como podemos lidar com ela e como podemos ajudar os que dela sofrem, “Hiperactividade e Défice de Atenção – As respostas que pais e professores procuram” é o livro a ser lido. Da minha parte garanto-vos que doravante pensarei duas vezes antes de julgar liminarmente como condenáveis certos comportamentos de pais e filhos em público…

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