Já li – Flores

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PORQUE LI?

Na verdade, estou mesmo a acabar de ler. O livro foi-me oferecido pela Companhia das Letras uns dias antes de eu conhecer pessoalmente o autor e ter a oportunidade de conversar com ele sobre as leituras que faz e os livros que o marcaram. “Flores” é o meu primeiro livro de Afonso Cruz. O único comentário que me ocorre fazer para já é: porque raio demorei eu tanto a chegar a este autor?! Volto em breve para tecer algumas considerações sobre o romance.

O QUE ACHEI?

Estava junto aos escombros do meu pai, com os restos dos nossos sentimentos à deriva. O meu corpo ainda dizia o nome dele muito baixinho, como se fosse sangue a correr nas veias”.

É óbvio que a qualidade global de um romance não se pode medir pelo impacto da sua primeira frase. Ou do primeiro parágrafo. Mas eu gosto de livros que se comportam como aquele marinheiro da fotografia de Alfred Eisenstaedt — arrebatam-me pela cintura e sugam-me as forças num beijo que se demora até à última página. “Flores” é um desses livros que abre magistralmente e assim se mantém até ao fim.

Em “Flores” há um homem de meia idade — o narrador — cuja vida se desmorona (o pai morre, a mulher deixa-o, a filha não fala consigo), há um outro homem, velho, que cede a doenças degenerativas (primeiro perde a memória e depois a mobilidade) e há um país em crise em pano de fundo. Rendido ao que parece ser uma vida falhada, o narrador não desiste do vizinho desmemoriado e empenha-se na reconstituição do seu passado. Ao fazê-lo, contudo, acaba por reconstruir-se também, paulatinamente.

A vasta cultura de Afonso Cruz está bem patente nas páginas deste seu último romance. De forma muito natural, fluída, subtil, como quem conta apenas uma história simples, uma história comum, o autor não só nos leva pelos meandros da história recente de Portugal, como nos fala de ciência, filosofia, literatura, música ou religião. Afonso Cruz é, assim, muito mais que um escritor, é alguém que propaga conhecimento, que alarga os nossos horizontes, que nos provoca e incita à reflexão. Tudo isto aliado a uma escrita poética, profundamente humana, simples de entender, de acompanhar, de assimilar, de transpor para as nossas vidas e experiências de comuns mortais.

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One thought on “Já li – Flores

  1. Também tenho uma curiosidade grande por conhecer Afonso Cruz, mas outros livros se têm atravessado no caminho e ganho prioridade no meu tempo. O único livro de Afonso Cruz que li foi OS LIVROS QUE DEVORARAM O MEU PAI, o que já me despertou o bichinho por conhecer melhor este autor. Talvez num futuro breve isso venha a acontecer.

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