Manuela, no seu refúgio

Manuela no seu refúgio - Porto @acordofografico

Na minha outra vida”. Foi assim que a Manuela se referiu um par de vezes aos tempos em que comprava livros e tinha muitos mais livros do que tem hoje. Não sei o que lhe aconteceu. Não quis perguntar e percebi que a Manuela também não queria ir por aí. Os livros eram o mote e não nos desviámos desse caminho.

Conheci-a numa tarde de sábado, na baixa do Porto, à porta de um supermercado. Fazia bastante frio. Contudo ela ali estava, sentada a ler na rua, como faz quase todos os dias, horas a fio. Os empregados do supermercado confirmam, quando vêm cá fora fumar ou falar ao telefone: “Ela lê muito!”. Lê muito e não só. Também recomenda livros a quem lhe pede conselhos e embora admita que não gosta de emprestá-los, cede os seus livros quando acha que as pessoas estão no momento certo para lê-los. É, ao fim e ao cabo, uma outra forma de ajuda que acumula às outras ajudas que dá à porta do supermercado e às ajudas que recebe de quem passa, trabalha ou vive no bairro.

Este já o comprei há tempo. Comecei a ler, mas deixei a meio. Uma vez até ficou aí em cima de um banco e como choveu ficou assim, estragado. Mas agora estou a ler todo e estou a gostar tanto que não vejo a hora de chegar ao fim. Sei que há o filme. Mas com o livro faço o filme à minha maneira, na minha cabeça”. Assim se referiu a “Amanhecer”, de Stephenie Meyer, consciente de que a história não ficava por ali e que havia outros volumes da saga para ler.

A Manuela gosta mais de romances e de livros de História. Mas sublinha que lê qualquer coisa. O que é preciso é que o livro lhe agrade. Considera que os livros são uma fonte de conhecimento, de sabedoria e de aprendizagem. “Com os livros só aprendo coisas boas. Só coisas boas”, reforça. Perante isto, é curioso que diga não saber de onde lhe vem o gosto pela leitura. Porém recorda que lê desde miúda: “É um refúgio. Se me sentir mal, leio. É como uma droga”.

Também gosto de escrever versos e diários”, acrescenta. “Gostava, um dia, de escrever um livro ou que alguém escrevesse um livro com a minha história. Eu sei que vai acontecer-me uma coisa boa um dia. Não sei o que é, mas vai acontecer”.

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