Já li – Porque Fazemos o Que Fazemos

Porque fazemos

PORQUE LI?

Tive conhecimento de “Porque Fazemos o que Fazemos — Bons Hábitos” no início do ano de 2015, ainda antes de ir para as livrarias. Fez-me lembrar um outro livro intitulado “A Força do Hábito” — título que fotografei em 2013 nas mãos de Zhou, que o lia em inglês no aeroporto de Hong Kong. Recordo que na altura fiquei com vontade de explorar esta temática, mas as minhas leituras seguiram o seu curso sem que eu voltasse a pensar neste assunto. Até Dezembro passado, quando “Porque Fazemos o que Fazemos — Bons Hábitos” me apareceu à frente dos olhos numa estante da Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos. Acabei por colocar o livro na minha lista de desejos para o Natal, recebi-o na madrugada de 25 de Dezembro e decidi de imediato que seria o meu primeiro livro de 2016 — afinal não é no início do ano que prometemos abandonar maus hábitos ou adquirir outros mais saudáveis? Veremos até que ponto poderá esta oferta ajudar-me. 

O QUE ACHEI?

O facto do inconsciente ser quase impossível de penetrar parece ser um problema para quem deseje alterar os seus hábitos, já que residem maioritariamente na parte inconsciente da mente. Na verdade, ter noção do poder do inconsciente para guiar e mudar a nossa vida e comportamentos é o primeiro passo em direcção à mudança. Se não admitirmos que grande parte dos nossos pensamentos e comportamentos são inconscientes, teremos menos hipóteses de fazer com que as mudanças funcionem. Sondar o inconsciente para encontrar explicação para os nossos hábitos é uma perda de tempo — pode até mesmo ser contraproducente — mas ficar mais atento ao comportamento que se tem, algo que conseguimos notar, é muito útil.

Foi logo na página 45 de “Porque Fazemos o Que Fazemos” que li este parágrafo, um conjunto de afirmações que acabou por pautar a minha primeira leitura de 2016. É uma forma de olhar para o hábito que me proporciona um certo alívio, admito, e que vai de encontro àquilo que verdadeiramente me interessa: deixar o passado e as suas explicações para trás, estar mais presente no presente, e apontar para o futuro, porque para a frente é que é caminho.

Sem poder afirmar que aprendi algo absolutamente novo ou que tive momentos de epifania no decorrer desta leitura, uma coisa é certa, Jeremy Dean teve a capacidade de me pôr a observar os meus hábitos e os hábitos dos outros sob uma nova luz, digamos que de outra perspectiva. Nomeadamente, a perspectiva do contexto já que, como defende o autor:

“(…) pensar sobre e tentar notar os nossos hábitos — os bons e os maus — é um excelente exercício para toda a gente. Ainda mais crucial, no entanto, é perceber quais as circunstâncias em que executamos os nossos hábitos. Sem saber quando acontecem, será difícil conseguir mudá-los”. (Pág. 88)

Óbvio, não é?

O livro é construído, na sua totalidade, com base em centenas de estudos feitos em todo o mundo por equipas de cientistas que dedicaram a sua vida profissional a estudar os hábitos e as rotinas de milhares de indivíduos. Partilho convosco algumas das conclusões que achei mais interessantes:

  • A teoria de que são necessários 21 dias para mudar qualquer hábito é um mito urbano;
  • O acto de executar um hábito dá-se sem emoção, o que nos permite desligar e pensar noutra coisa mais prazerosa;
  • O facto do comportamento habitual não despoletar emoções fortes é uma vantagem: proporciona uma sensação de controlo, reduz os níveis de ansiedade e de stress;
  • Há uma dissonância entre os hábitos enraizados e as nossa intenções conscientes, isto é, a nossa intenção de mudar um hábito não tem tanta força quanto gostaríamos;
  • Os hábitos de pensamento e comportamento podem ser activados automaticamente por pessoas e coisas à nossa volta;
  • Os estudos existentes continuam a sustentar a ideia de que a depressão é, pelo menos em parte, o resultado de um modo habitual de pensamento;
  • Um défice de auto-regulação (pouca auto-observação e pouca auto-reacção) torna mais fracas as hipóteses de conseguirmos mudar alguma coisa;
  • A construção de um novo hábito implica a repetição de um pensamento ou comportamento num contexto estável (…) Saber exactamente quantas repetições são necessárias dependerá do estilo de vida de cada um e do hábito que procura desenvolver;
  • O desenvolvimento de um hábito positivo será mais bem sucedido quando valer por si só, quando é realizado automaticamente e quando ficamos satisfeitos com o que alcançámos;
  • A beleza dos hábitos é que à medida que se desenvolvem exigem cada vez menos esforço;
  • Infelizmente, a criação de um novo hábito não destrói, regra geral, um velho hábito;
  • Ao ganharem mais experiência e tornarem-se, tecnicamente, mais realizadas o modo habitual de raciocínio das pessoas criativas tem tendência para começar a desenhar limites auto-impostos;
  • Hábitos felizes cientificamente comprovados: aumentar o pensamento positivo e as ligações sociais, saber lidar com o stresse, comprometer-se com objectivos, praticar a gratidão e saborear.

Fecho com último excerto, que me parece resumir muito bem o espírito do livro:

“A verdadeira meta da mudança pessoal é desviarmos a atenção de curas milagrosas e pensos rápidos e adotar uma estratégia a longo prazo. Mudar de hábitos não é um sprint — é uma maratona. O estado mental ideal será acordar de manhã e ser quase a mesma pessoa, com a exceção de uma pequena mudança — uma pequena mudança que pode replicar diariamente até já não dar por ela, momento em que pode começar a planear a próxima pequena mudança…” (Pág. 185)

 

 

 

 

 

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