Rio de Janeiro – Márcia, a investigadora

 
O Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro foi fundado em 1837 por um grupo de emigrantes portugueses com o objectivo de promover a cultura na então capital do Brasil e abriu as portas ao público em 1900. No interior deste edifício exuberante de estilo neomanuelino, que teve o Mosteiro dos Jerónimos como principal fonte de inspiração, encontram-se actualmente mais de 350 mil livros, alguns dos quais verdadeiras relíquias editoriais. Esta foi, talvez, a principal visita que deixei por fazer quando fui ao Rio de Janeiro pela primeira vez. Volvidos dez anos, não deixei escapar a oportunidade de realizar mais este sonho. Entrar na sala de leitura deste Real Gabinete é um marco na vida de qualquer um, quer goste de livros ou não. Ninguém consegue ficar indiferente ao efeito mágico que resulta da combinação entre a arquitectura do edifício e as lombadas coloridas dos milhares de volumes que forram as paredes do rodapé ao teto. Podemos investir horas a deambular pelas prateleiras dos vários andares, espreitar títulos ao acaso e surpreendermo-nos com as descobertas feitas. A mim calhou-me também a sorte de descobrir a Márcia naquele cenário espectacular. Esta carioca que é professora de Literatura na Universidade de São Paulo e que tem três livros publicados em Portugal, dispõe de um ano para trabalhar em exclusivo numa tese de pós-doutoramento que incide sobre a vida dos pais de D. Sebastião, os príncipes D. João e D. Joana de Áustria. O objectivo é reconstruir um período da História através do cruzamento e análise de textos literários e poéticos da época como, por exemplo, os documentos redigidos em torno do casamento dos príncipes, sobre a morte de D. João ou mesmo o livro que consultava na manhã em que nos conhecemos: “Anedotas Portuguesas e Memórias Biográficas da Corte Quinhentista Histórias e Ditos Galantes que Sucederam e se Disseram no Paço“. Leitora por obrigação, por causa da docência, mas acima de tudo leitora por gosto, a Márcia afirma “que é uma sorte poder trabalhar com o que dá prazer” e que acaba sempre por orientar as suas leituras e os seus estudos para o período que mais a fascina: o século XVI. 

Mais fotos desta leitora e do Real Gabinete Português de Leitura aqui.
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