José Luís Peixoto

 

Na passada segunda-feira o auditório da Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, abriu as portas para acolher José Luís Peixoto, que apresentou o seu mais recente trabalho: “Dentro do Segredo“. Para aqueles que têm vindo a acompanhar a sua obra, este novo livro revelou-se uma surpresa já que não se trata de um romance, mas sim do relato da viagem de três semanas que o autor fez à Coreia do Norte em abril deste ano. O próprio José Luís Peixoto admitiu, no decorrer da apresentação, que este é um livro que “abre uma nova ala” naquilo que escreveu até ao momento e que sente que esta vertente tem margem de progressão, uma vez que as viagens são, nos últimos anos, uma parte muito importante da sua vida. 

E porquê a Coreia do Norte? Simplesmente porque um dia, no meio da rotina habitual imposta pelo trabalho e tantos outros compromissos, lhe passou pela cabeça a possibilidade de lá ir. E foi assim, imediatamente, que se deixou seduzir por essa “ideia mirabolante, pelo tamanho dessa empresa” e pela vontade de criar um texto capaz de transmitir aos leitores o que é estar naquele país, de escrever um livro que os levasse também até à Coreia do Norte e concretizar, dessa forma, o objetivo principal da literatura de viagem. 

Ontem, com o seu estilo simples e caloroso, sempre sorridente, José Luís Peixoto levou todo o auditório até àquele país longínquo e reviveu, durante cerca de hora e meia, alguns dos episódios mais marcantes dessa viagem ainda tão recente, ainda tão viva na sua memória: o requinte absoluto do culto aos grandes líderes e a forma como essa veneração condiciona todos os aspetos da vida pública e privada dos norte-coreanos; a dúvida constante sobre toda a informação fornecida pelas autoridades (ainda a semana passada a agência noticiosa norte-coreana anunciou que tem provas da existência de unicórnios no país…); a visita a uma aldeia onde não eram vistos estrangeiros desde 1953 e o pânico que a visita causou por entre os seus habitantes; a fauna e a flora intactas; a total ausência de poluição; as evidentes carências alimentares da população; a quase inexistência de comércio (em Pyongyang, por exemplo, há apenas duas lojas); os veículos militares movidos a lenha e a carvão ou as refeições em que se serviram cão frito e sopa de cão.

Um livro que vai direto para a minha lista de leituras a fazer muito em breve!

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3 thoughts on “José Luís Peixoto

  1. Também estive lá. E ao ler isto fiquei a pensar se a autora do AO não seria a pessoa que estava sentada à minha frente a tomar notas e que no início me perguntou se eu tinha uma caneta… Seria? 😉

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