A Elsa, em pleno voo

 
Na ida para Milão voei pela primeira vez numa companhia low cost. Esta era uma experiência que andava a adiar, convencida que este tipo de voo não me encheria as medidas. Lembrando-me eu dos tempos em que andar de avião era um acontecimento glamoroso, estreando-se até peças de roupa para a ocasião, esta coisa de não ter lugar marcado, não ter espaço para as pernas, não nos oferecerem uma refeição por muito pequena que seja, pagar uma fortuna para meter a mala no porão e estar sujeita a horários muito pouco convenientes (para quem trabalha de segunda a sexta, entre as 9h e as 18h e pica o ponto) fazia-me muita confusão. Mas “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e acabei por embarcar num voo da Easy Jet que marcou pela sua linearidade: saímos a horas, aterrámos a horas e a bagagem não se extraviou. 
 
Já o voo de regresso pela TAP, companhia em que viajo desde sempre e da qual não me lembro de ter razões de queixa, foi toda uma outra história. Partimos com um atraso de mais de hora e meia que nunca nos foi justificado. O piloto e a tripulação só se nos dirigiram para informar que, devido a fortíssimos ventos contrários, teríamos de fazer um desvio e aterrar em Barcelona para reabastecer. O pequeníssimo Embraer que nos transportava iria despender mais combustível para fazer face ao vento e não teria, portanto, autonomia suficiente para nos levar em segurança até ao Porto. Uma vez em Barcelona, o reabastecimento demorou muito mais do que os 15 minutos que nos prometeram e a viagem que deveria ter demorado cerca de 2h entre Milão e o Porto acabou por demorar quase 4h. Em vez de chegarmos ao Porto às 23h como estava previsto, chegámos por volta das 3h da madrugada e as únicas palavras proferidas pela tripulação quando aterrámos foram aquela lenga-lenga debitada maquinalmente independentemente das particularidades de cada voo: “Esperamos que tenham gostado da viagem.” A cassete, portanto. Bem sei que tudo isto se deveu ao zelo pela nossa segurança, mas sabem aquele pedido de desculpas que teria sido, no mínimo, de bom tom? Pois… 
 
Para passar o tempo vinguei-me na UP Magazine, a belíssima revista de bordo da TAP que li de fio a pavio. Já a Elsa aproveitou para acabar de ler o romance “Nunca me Esqueças“, de Lesley Pearse. O livro fora-lhe emprestado pela filha que está a fazer Erasmus em Itália e que a Elsa tinha ido visitar. 
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