Um pequeno leitor, em Hong Kong

 
Senti-o pela primeira vez em Kowloon. Tínhamos de nos ir embora e eu não conseguia afastar os olhos da deslumbrante paisagem urbana do outro lado da baía. Hong Kong by night viciou-me como nenhuma outra cidade antes. Na manhã seguinte, chego ao aeroporto e o nó da véspera adensa-se na garganta: a viagem está a chegar ao fim. Permito-me ceder um pouco ao cansaço. A mochila parece pesar o dobro, embora carregue quase o mesmo. Não partilho com a N. o que me vai na alma. Afinal, temos ainda pela frente dois dias em Pequim e as férias só terminam no momento em que me sentar à secretária, no trabalho. Não vou dar parte fraca.
 
Na sala de embarque, algumas filas à minha frente, senta-se uma família: o pai, a mãe, o filho. No país onde os miúdos parecem nascer acoplados a todo o tipo de telemóveis, tablets e consolas, este filho traz antes um livro que abre e começa a ler. Comento com a N.: “Seria o primeiro pequeno leitor fotografado na China.” E lá fui eu. Dirijo-me aos pais para constatar que não dominam o inglês. Repito-me uma e outra vez (in english!), sempre sorridente, para mostrar que venho por bem. Acabo por me fazer entender e é-me concedida a fotografia. Antes, entrego o marcador e posso ver que o livro em causa é de banda desenhada, a primeira BD do Acordo Fotográfico. Acho que o Rou Yan Tong ficou muito bem na fotografia. Terei eu ficado bem nos retratos que o pai me fez enquanto eu lhe retratava o filho? Vou ver se me enviam as fotos da China.

PS – As fotografias já estão disponíveis aqui e aqui. 🙂
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