Samba na Cordoaria

 
À medida que me aproximei do Samba, comecei a ouvir música. Não me recordo exatamente que música era, mas sei que era portuguesa. Enquanto conversamos não consegui perceber onde estava o rádio. Talvez guardado num bolso interior do casaco, o que resultava num efeito curioso porque era como se a música emanasse do próprio Samba. E isto de andar por aí um homem chamado Samba a emanar música pareceu-me acertado, natural e até poético.
 
O Samba é guineense e veio para Portugal estudar medicina. O curso está parado, mas o hábito de ler livros sobre o assunto mantém-se. Daí ser frequentador habitual da Biblioteca Municipal do Porto onde requisita muitas obras. Para prová-lo abriu a carteira, mostrou-me os muitos talões que vai acumulando e afirmou: “Gosto muito de ler”. Naquele início de tarde, no entanto, não lia sobre medicina, mas sim sobre a história da sua Guiné-Bissau. Ao requisitar na biblioteca um dos volumes de “A História da Guiné“, o Samba pretendia não só aprender mais sobre o seu país, mas também perceber o que andaram os portugueses a fazer por lá durante tanto tempo. E sem se ter adiantado muito na leitura, uma coisa o Samba já sabia: os portugueses andaram por lá “a sofrer muito. A sofrer e a morrer.” 
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