O Acordo Fotográfico foi à praia

 
Há muitos anos aprendi o que significava a empatia e desde então procuro, com maior ou com menor sucesso, colocar-me no lugar dos outros nas mais variadas ocasiões. Por isso, à medida que as férias de verão se aproximavam, assim como os longos dias passados na praia, dei por mim a pensar como reagiria se uma estranha me aparecesse à frente, de câmara em punho, para me propôr uma fotografia, estando eu em biquini e tendo como único adereço um livro (e talvez uns óculos de sol e um chapéu de palha).
 
Tinha a certeza que ia encontrar muitos leitores na praia. As férias são sempre aproveitadas para pôr as leituras em dia. Por isso, levei a câmara comigo desde o primeiro momento. Mas queria tanto que isto corresse bem, que decidi não arriscar e foi de forma calculada que não abordei o primeiro leitor que vi. Nem o segundo, nem o terceiro… Observei ao longe, escrutinei cada rosto, cada capa de livro e deixei que a intuição me guiasse. Tomei todo o meu tempo em prol de um “sim” que queria que fosse o prenúncio de uma temporada profícua para o Acordo Fotográfico nas praias do Algarve.
 
Foi no extenso areal da Praia da Rocha que decidi avançar. Na sombrinha imediatamente atrás da minha estava a Andreia, uma alentejana de Beja a gozar férias em Portimão. Enchi-me de coragem (ou de uma “grande lata”, para utilizar as palavras da minha mãe e do meu irmão), aproximei-me e, com uma boa dose de cortesia, expliquei ao que vinha. A Andreia sorriu e aceitou. Tinha começado a ler “Um Longo Regresso a Casa“, um romance que disse ter escolhido ao acaso, sem sequer espreitar a sinopse para que a história a surpreendesse completamente.
 
Depois da Andreia, vieram mais leitores, mais livros, mais fotos tiradas noutras praias. Aconteceu exatamente como eu queria: comecei com o pé direito e a partir daí foi tudo mais fácil!
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3 thoughts on “O Acordo Fotográfico foi à praia

  1. Olá Vespinha! A praia é também um dos meus locais de eleição para ler (à sombra nas horas de mais calor; ao sol nas horas mais amenas). Só não consegui ler no dia em que fui para Vale Figueiras, na Costa Vicentina. A paisagem é tão linda que não consegui desviar os olhos dela para o que quer que fosse…

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