Uma conversa, muitos livros

 
Na reta final deste inverno suave, encontrei o João e as filhas sentados num banco com vista para o Douro. Aproveitavam as últimas horas de sol e de calor de um domingo magnífico, que levou centenas de pessoas a passear ao ar livre. Elas entretinham-se com os deveres da escola; ele lia “Os Homens que Odeiam as Mulheres“, de Stieg Larsson. Ia mais ou menos a meio da história que considerou “simples de ler” e de “entretenimento puro”. Embora estivesse a apreciar o enredo, sobretudo por conter informação atual, sublinhou que do ponto de vista literário o livro não poderia comparar-se, por exemplo, a “O Grande Inquisidor“, de João Magueijo, que acabara havia pouco tempo e cuja leitura recomenda. E a partir daí, o João foi nomeando, muito naturalmente, os autores e os livros da sua predileção. Hermann Hesse surgiu à cabeça e referiu “Siddhartha” como o seu livro de cabeceira, aquele que deve ser relido, porque cada fase da vida permite extrair-lhe novos ensinamentos. E, de entre os que escrevem em português, declarou-se grande admirador de Fernando Campos, sobretudo do seu romance “A Casa do Pó“, que considera de grande riqueza linguística. 
 
Por muito que eu fotografe gente a ler quase todos os dias, cada encontro é único e confirma que os livros lançam sobre nós uma espécie de feitiço bom. Aquele que leva perfeitos estranhos a falar sem reservas sobre uma grande paixão: ler.
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